Sobre as dores do agora ou O fundo do poço é aqui?!

Eu sei que ando muito desconectada de tudo.


Me afastei das pessoas e de mim mesma, não que eu fosse muito próxima de mim antes, mas me afastei. As pessoas ainda estão por aqui, mas eu me fechei num casulo e agora parece que tô sozinha. Me fechei por escolha e me sinto sozinha aqui.

Muitas coisas aconteceram nesses últimos tempos e eu fui indo com a maré, a intensidade das ondas me levou pra longe e eu que não sei nadar, me encontro à deriva e corro o risco de me afogar. Não vou explicar o que aconteceu, mas me sinto assim, perdida e sem saber o que fazer no AGORA.

Eu sei que as coisas não vão bem nas minhas relações de amizade, sei que me isolei bastante e que isso afeta as outras pessoas, sei que eu tô esgotada de trabalhar onde trabalho e que quero um abraço, quero me sentir aconchegada e ter tempo pra descansar e me reencontrar. É difícil saber quem se é e o que se quer fazer, eu sinto essa dificuldade e aí quando qualquer coisa acontece, eu me abalo e me perco de mim, me desencontro da minha identidade e já não sei quem eu sou e nem o que eu quero.

Pra mim viver é agoniante e doloroso, eu sei que tem coisas boas, bons momentos, boas pessoas e eu tenho períodos bons e momentos felizes entre uma dificuldade e outra, mas mesmo nesses momentos surge um medo, medo do tombo que vem depois e de que a dor seguinte seja maior do que a felicidade do momento.


Tá bem, é óbvio por tudo que disse até aqui que tô num momento ruim e isso faz com que tudo soe pior do que é, mas eu preciso pelo menos hoje, pelo menos por enquanto falar sobre como o agora tá sendo difícil. 

TÁ DIFÍCIL

Assinei os termos sem ler e agora tenho que viver e fazer o período desse contrato de existência ser minimamente bom, mas como faz isso????
Tem um mês, se não mais que eu olho pro caos do meu quarto e não dou conta, assim como olho pro computador e não ligo, não faço meus trabalhos e não crio nada. Não faço porque não quero e porque não tenho a mínima vontade, é difícil. É tudo muito difícil e eu quero que seja mais fácil. Sei que tenho que me movimentar pra que as coisas sejam mais fáceis, mas parece que tô presa num grande golpe do pix, onde pra receber um valor y tenho que transferir um valor x primeiro, mas eu não tenho valor x e mesmo que tivesse, no fim ninguém vai me transferir nada porque é um golpe.

Eu tenho transbordado e nada mais cabe dentro de mim, preciso arrumar as bagunças. Arrumar meu quarto, minha cabeça e meu coração, mas não parece que sozinha eu vá conseguir, só que aqui dentro (dedo indicador tocando na cabeça) uma Luana não sabe pedir ajuda, outra acha que precisa lidar com isso sozinha e tem uma muito preocupada em não incomodar ninguém. Eu tô no meio delas, chorando num canto enquanto vejo o caos se espalhando...

Queria que esse texto não fosse tão sofrível, queria que fosse mais neutro e menos dramático, mas é parte do que eu sinto e eu precisava escrever e pensar sobre essas coisas, independente do quão desconexas ou tristes elas pareçam entre si.

Espero que num futuro próximo eu consiga escrever sobre coisas bobas e pensar leve sobre a experiência de viver, mas por hoje é isso que temos.


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